quinta-feira, 31 de março de 2011

"O Pianista"


“A música era a sua paixão. A sobrevivência foi a sua obra de arte.”
Esta é a tagline do filme “O Pianista” de Roman Polanski.
Resolvi escrever sobre este filme, pois tive oportunidade de o ver finalmente há umas semanas atrás. Posso dizer que não fiquei desapontada e foi dos melhores que vi até agora.
Este filme conta a história de um pianista polaco judeu que tenta sobreviver à destruição de Varsóvia durante a Segunda Guerra Mundial. Foi baseado não só na história de Wladyslaw Szpilman, mas também em episódios vividos pelo próprio realizador.
A personagem principal é interpretada por Adrien Brody, que tem uma prestação notável. Não houve nenhum momento durante o filme que duvidei da sua personagem, com que podemos todos relacionar. Não é nenhum herói, mas apenas uma pessoa normal que faz de tudo para sobreviver ao terror daquela guerra.
Este é um daqueles filmes que embora seja muito bom, é muito difícil de voltar a ver, devido ao conteúdo emocional intenso. É extremamente realista e mostra exactamente a crueldade deste episódio da História. Além do realizador não poupar nas cenas violentas, também causa uma sensação de claustrofobia e ansiedade. Durante todo o filme, seguimos o caminho desta personagem que tem de se esconder constantemente e arranjar meios para sobreviver.
O facto da personagem principal ser pianista como eu, foi um aspecto que me afectou profundamente. A ideia de não poder tocar música por estar numa situação daquelas é aterrorizadora. Por esta mesma razão, a cena em que o pianista pode finalmente voltar a tocar, causa também um grande impacto, principalmente a alguém que é também músico.
Recomendo a todos este filme, que nos faz sentir satisfeitos pela liberdade que temos.

Como tudo começou...


Decidi começar este blog com um pequeno filme chamado "Roundhay Garden Scene". Foi feito pelo inventor Louis Le Prince em 1888.

        Escolhi este filme exactamente por ser  considerado o primeiro filme da história, ou pelo menos o mais antigo que sobreviveu até a data. Por esta razão, posso dizer que toda a história do cinema começa a partir destes 24 fotogramas que constituem uma duração de aproximadamente 2 segundos.
A localização desta cena é o jardim da casa da família Whitley, na Oakwood Grange Road, Roundhay, em Yorkshire na Grã Bretanha. Nela participam quatro personagens: o filho do realizador Adolphe Le Prince, a sogra do realizador Sarah Whitley, Joseph Whitley e Harriet Whitley. Basicamente os ‘actores’ aparecem a andar em círculo e a rir para si mesmos, enquanto permanecem na área de filmagem.
A minha dedução quando vi o filme foi que, considerando o facto da câmara ser uma invenção recente, as pessoas tentaram fazer as coisas mais absurdas que se lembraram no momento para testá-la.
No entanto, este filme está cheio de mistério e de acontecimentos trágicos. Sarah Whitley, sogra de Louis Le Prince, morreu 10 dias depois da filmagem. O realizador, Louis Le Prince, desapareceu num comboio sem deixar rasto, mesmo antes de poder registar a patente da sua invenção. O seu filho Adolphe Le Prince, foi encontrado morto a tiro poucos anos depois.
Um aspecto que acho interessante nestes filmes, é o facto de termos um momento captado à exactamente 123 anos atrás e é como se nada daquilo tivesse realmente desaparecido. Encontrar vídeos como este no Youtube por exemplo, é quase um processo em que permitimos que estas pessoas vivam outra vez. Este filme como tantos outros, representa um momento que nunca irá ser apagado.